Pesquisar

terça-feira, 31 de maio de 2011

31 de maio de 2011 - ZERO HORA


REUNIÃO COM DILMA
Fortunati pede ao Planalto plano para Salgado Filho
Prefeito questiona dados repassados pela Infraero sobre ritmo de obras

É com apreensão que o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, desembarcou em Brasília para uma reunião sobre a Copa do Mundo com a presidente Dilma Rousseff, prevista para hoje. A capital gaúcha está adiantada em alguns pontos na comparação com outras cidades-sede do Mundial, mas a situação do aeroporto Salgado Filho tem angustiado o prefeito.
Fortunati considera inconsistentes as informações repassadas pela Infraero, principalmente com relação à ampliação da pista e à reforma no terminal de passageiros. O prefeito pretende perguntar à presidente quais os planos para o Salgado Filho:
– Tenho várias dúvidas. Precisamos de uma orientação clara, até para verificar quais medidas devemos tomar com relação às vilas Dique e Nazaré.

Estatal atribui atraso em obra à troca de comando
A Infraero admite atraso na ampliação da pista do Salgado Filho. O projeto está sendo elaborado pelo Exército. O superintendente regional da autarquia, Carlos Alberto da Silva Souza, atribui o atraso à troca no comando das áreas militares. No mês que vem, parte do projeto deverá estar concluída, e a licitação poderá ser aberta. Já a reforma estrutural de ampliação do terminal está dentro do cronograma, segundo a estatal. O resultado da primeira fase da licitação será divulgado nesta semana. Serão conhecidas as empresas que passaram pelo primeiro filtro, que é a habilitação técnica. O objetivo é construir oito novos pontos de embarque e ampliar a capacidade do pátio para receber mais oito aeronaves. Enquanto esse processo ocorre de forma mais lenta, um terminal provisório será montado.
Uma área ociosa no segundo pavimento será ocupada em 60 dias. Serão instalados 20 novos guichês de check-in no setor de embarque. Apesar do recente estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontando que o Salgado Filho não ficará pronto para a Copa, em 2014, a Infraero garante que o aeroporto de Porto Alegre conseguirá atender à demanda.
O superintendente admite que não tem conversado com o prefeito, mas diz que está à disposição para esclarecimentos. O governador em exercício, Beto Grill, também participa da reunião.
LÉO SABALLA JR | Brasília

NO LIMITE
SUPERLOTAÇÃO
Saiba por que o aeroporto Salgado Filho necessita de investimentos:
- No ano passado, foram mais de 6,6 milhões de pessoas circulando pelos corredores do terminal, que oficialmente tinha capacidade para receber 5 milhões de passageiros. A abertura do terminal 2 para voos comerciais, em dezembro de 2010, agregou mais 1,5 milhão à capacidade atual do complexo, mas o crescimento da demanda indica que em 2011 o movimento vai beirar as 8 milhões de pessoas.
ESTACIONAMENTO
- São 2.020 vagas pagas e cerca de 140 de estacionamento gratuito. As vagas não atendem à demanda. A Infraero anuncia a construção de um edifício-garagem, com 4 mil vagas, desde 2008. A empresa analisa o modelo de estacionamento do Aeroporto de Guarulhos ( SP), para aplicá-lo no Salgado Filho.
POLTRONAS
- O terminal 1 tem 304 assentos distribuídos nos três andares nas áreas públicas, sem contar as cadeiras disponíveis na praça de alimentação e nas cafeterias dos três andares. No terminal 2, são oferecidos 200 lugares. O aeroporto recebe, em média, 18 mil passageiros por dia. Calculando cerca de mil usuários por hora, as 304 poltronas não dariam conta do público em horários de pico.
BALCÕES DE CHECK-IN
- São 32 no terminal 1. O número é o mesmo de 10 anos atrás. A área atual deverá ter mais 10 balcões. Outros 20 estão projetados em área ociosa no segundo andar.
RAIO X
- No terminal 1, há seis aparelhos de raio X para a inspeção de bagagem antes do embarque. No terminal 2, são três pontos. Em horários de movimento, há longas filas para embarque e voos precisam esperar para decolar. A obra para a ampliação dos balcões de check-in prevê a instalação de três novas posições de raio X e uma nova sala de embarque.


CAMPANHA
Unipampa participa do projeto Rondon

Oito alunos do curso de Geofísica do campus Caçapava do Sul, da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) irão participar do Projeto Rondon, entre os dias 8 e 23 de julho, na cidade de Rio Preto da Eva, no Estado do Amazonas.


EDITORIAL
Os conflitos no campo

Depois da execução de quatro agricultores nos últimos dias, três deles envolvidos com causas ambientalistas, o governo anunciou ontem a criação de um grupo interministerial, entre outras providências, para tentar conter a violência no norte do país. Os ministros cobraram medidas de governadores da região e anunciaram a disposição de acompanhar os resultados. Só uma reação imediata deve se mostrar capaz de evitar novas mortes no campo, em regiões da Amazônia marcadas por conflitos agrários que podem estar sendo acirrados, entre outras razões, pela aprovação do Código Florestal. Sem uma política nacional de segurança específica para o norte do país, de fato, o risco é o de a ocorrência de assassinatos se agravar, com uma extensão das tensões para outras regiões do país.
O fato de Nova Ipixuna – o município do Pará onde o assassinato de um casal de extrativistas ganhou repercussão mundial, a exemplo do ocorrido com o do líder ambientalista Chico Mendes – estar localizada no centro do chamado polígono da violência dá uma ideia do que pode ocorrer se não houver uma ação firme do poder público. Numa área equivalente à da Áustria, a região ostenta níveis de violência recordes no Brasil e no mundo. Por convicção ou por necessidade de sobrevivência, muitos extrativistas deslocados do Sul e do Sudeste, devido ao alto preço das terras, para o norte do país estão hoje com suas vidas sob ameaça. A razão, na maioria das vezes, é simplesmente o fato de se oporem à derrubada das árvores da qual tiram o sustento. Os conflitos, agravados pelo esgotamento do modelo de atividade, tende a se estender ao norte e ao oeste de Mato Grosso e a Rondônia, potencializando as consequências.
O país precisa reagir de imediato para proteger assentados e lideranças jurados de morte e para desfazer a sensação de impunidade, que estimula as execuções na Amazônia e em outras regiões conflagradas. Dos quatro mortos registrados nos últimos dias, três deles sofriam ameaças constantes e estavam marcados para morrer. Ainda assim, não conseguiram sensibilizar o poder público sobre os problemas enfrentados. A situação corre o risco de se agravar, dependendo dos rumos a serem tomados no Senado pelo Código Florestal.
Dono de uma floresta que concentra as atenções mundiais e das maiores áreas de terra agricultáveis, o país não pode continuar consentindo com tantas perdas humanas, que enlutam os brasileiros e passam a ideia de descontrole no plano externo. Daí a importância de o poder público intensificar a atuação de todos os órgãos ligados a esta área, em âmbito federal e estadual, mas sobretudo de definir uma coordenação clara sobre as competências de cada um. O que não pode ocorrer é justamente o vazio de Estado numa região estratégica, deixando a população dominada pelo medo e os agressores livres para agir.


OPINIÃO
Automatismo e caixas-pretas

Geraldo Knippling*

Todas as aeronaves modernas fazem uso do automatismo por motivos econômicos, já que um piloto automático pilota com muito mais precisão que um piloto humano, além de aliviar o trabalho da tripulação técnica. Esse automatismo pode limitar-se a simplesmente manter a altitude da aeronave até propiciar um voo totalmente automatizado, incluindo a navegação e até o pouso.
Fora de dúvida, esse automatismo é uma maravilha tecnológica que muito facilita a vida a bordo. Só que essa maravilha torna-se um pesadelo quando deixa de funcionar devidamente e acima de tudo quando deixa o piloto sem uma outra opção. Analisando o trágico acidente com o voo 447, pelos dados até agora divulgados, e partindo do princípio de que a maioria dos acidentes aeronáuticos são ocasionados por uma sequência de várias falhas, vemos que o fator mais grave foi o fato de terem perdido as indicações de velocidade e todo o automatismo daí decorrente.
Há, no entanto, no centro do painel de instrumentos da aeronave, um pequeno horizonte artificial chamado de stand by horizon. Esse instrumento funciona independente de todos os outros sistemas da aeronave e até tem fonte de alimentação própria. Destina-se para o uso em casos de extrema emergência, quando todo o resto falhou.
Esse instrumento estava funcionando e por ele o piloto conseguia manter a altitude da aeronave. Se assim não fosse, não seria possível controlar a máquina, que no entanto estava “estolada” (sem sustentação) devido à baixa velocidade e ao ângulo de ataque elevado. Apesar de alguns altos e baixos, a perda de altitude era constante e expressiva.
Fica a pergunta: seria possível recuperar a sustentação somente pelas indicações do pequeno horizonte artificial de reserva? Teoricamente sim, bastaria baixar o nariz da aeronave para um ângulo de ataque menor, principalmente quando já estavam em altitude mais baixa (de aproximadamente 3 mil metros), onde, com a maior densidade do ar, essa manobra seria mais viável.
Os pilotos, fora de dúvida, eram experientes e certamente teriam agido neste sentido. Se não o fizeram, provavelmente foi devido a mais um ingrediente negativo nessa sequência de falhas que, talvez, com a continuidade das investigações, possa ser apontado.
Lamentável é chegar-se à conclusão de que a perda de tantas vidas foi motivada por uma falha do automatismo. Certamente, vão corrigir os defeitos e haverá processos em profusão apontando supostos culpados. Mas isto não restituirá as vidas perdidas.
*Ex-comandante e instrutor da Varig


INTERRUPÇÃO NO AEROPORTO
Pane em avião fecha pista na Capital

Uma pane em um avião de pequeno porte que tentava decolar ontem do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, causou o fechamento da pista por 44 minutos. Seis voos atrasaram por causa da falha, incluindo o de uma aeronave que teve de ser desviada para outro aeroporto.
O avião defeituoso era um Seneca, do Aeroclube de Eldorado do Sul. A aeronave interrompeu o caminho dos demais aviões às 21h39min, ao parar na pista. O problema técnico não tinha sido informado na noite de ontem.

No início do mês, neblina provocou atrasos em voos
O plano de emergência do aeroporto foi acionado. Às 22h23min, a aeronave foi retirada do local. Depois, equipes do aeroporto tiveram de vasculhar a área para identificar se havia alguma peça desprendida do Seneca, por exemplo.
Ao final da operação, seis atrasos em voos foram confirmados pela Infraero. Um avião foi desviado para Florianópolis (SC), enquanto outros aparelhos ficaram sobrevoando Porto Alegre enquanto aguardavam a liberação para pousar.
O caso do defeito do Seneca, que pesa cerca de duas toneladas e tem autonomia de voo de aproximadamente cinco horas, não foi o único que causou problemas no aeroporto em maio. Razões meteorológicas também complicaram o serviço. No início do mês, a neblina afetou os pousos e decolagens no aeroporto.


FUSÃO NO AR
Gol se diz surpresa com interesse da LAN

A declaração de executivo da LAN, durante o fim de semana, de que a empresa poderia buscar uma parceria com a Gol caso não seja aprovada a fusão com a TAM, foi recebida com surpresa pela companhia aérea da família Constantino.
Ontem, a empresa afirmou da que não está em negociação com nenhuma aérea e que não foi procurada pela LAN. Em entrevista publicada no El Mercurio, de Santiago do Chile, o gerente-geral da LAN, Ignacio Cueto, disse que a companhia deve procurar uma nova opção caso a fusão com a TAM seja reprovada.
– Podemos ir falar com a Gol, que não sei se estará disponível, mas que sua internacionalização não se compara com a da TAM – disse ao jornal.
Para analistas do setor de transportes, a declaração do executivo da LAN não passa de pressão para que o Tribunal de Livre Concorrência do Chile (TDLC) aprove a fusão entre LAN e TAM.
No caso de um acerto com a Gol, o principal benefício para a companhia chilena seria o acesso ao mercado doméstico brasileiro.


INFORME ECONÔMICO
Maria Isabel Hammes

Mercado aquecido
Uma das maiores empresas de logística e transporte de cargas expressas fracionadas do país, a JadLog fechou parceria com a Total Linhas Aéreas, para utilização da aeronave ATR 42-500, modelo com capacidade de transporte de até cinco toneladas.
A aeronave, a primeira desse modelo exclusivamente cargueira no Brasil, que terá voo inaugural hoje, vem para fortalecer uma operação de 31 aviões da frota JadLog . A ideia é atender Porto Alegre e Curitiba, além de conexões com grandes cidades do Sul.
O ponto de partida e de chegada em São Paulo será o aeroporto de Jundiaí, onde a JadLog mantém um hangar e centraliza os despachos de remessas expressas para todo o território nacional. Ronan Hudson, diretor da JadLog, explica que está havendo expressivo crescimento do volume médio de mercadorias transportadas para as capitais do Sul. Atualmente, já são 4,5 toneladas diárias de encomendas.


INFORME ESPECIAL
Tulio Milman

Senhores passageiros
O voo da Gol, de São Paulo para Porto Alegre, deveria sair de Guarulhos às 15h50min de domingo.
Saiu uma hora depois. Concluído o embarque, a explicação:
– Pedimos desculpas pelo atraso, que se deu porque houve atraso no trecho anterior voado por esta aeronave.
Ah, tá.


Nenhum comentário:

Postar um comentário