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segunda-feira, 28 de março de 2011

28 de março de 2011 - INFOREL


DEFESA
Aprovado acordo Brasil – França para construção de submarinos

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal aprovou dia 24, o acordo de cooperação firmado entre Brasil e França que permitirá a construção de quatro submarinos convencionais e um nuclear para a Marinha brasileira.
Em 2009, o Senado Federal aprovou a contratação de empréstimo internacional para viabilizar o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), orçado em R$ 19 bilhões.
O submarino nuclear só deve estar pronto por volta de 2021.
A cooperação abrange os métodos, as tecnologias, as ferramentas, os equipamentos e a assistência técnica em todas as etapas do projeto de submarinos convencionais do tipo Scòrpene, bem como de um submarino com armamento convencional destinado a receber reator nuclear.
Também a construção de um estaleiro onde serão construídos os submarinos e de uma base naval capaz de abrigá-los.
O acordo assegura a transferência de tecnologia relativa ao projeto e o apoio francês à concepção e construção da parte não nuclear do submarino SNBR.
A cooperação deverá durar três anos após o primeiro mergulho estático do SNBR e não poderá exceder o limite de 25 anos.
O governo brasileiro considerou a necessidade detectada pela Marinha de submarinos de propulsão nuclear, que poderão promover a vigilância mais adequada das águas profundas da plataforma continental brasileira, onde se encontram os campos de petróleo da camada pré-sal, e a decisão da França de oferecer a sua tecnologia.
O projeto do submarino nuclear está 15 anos atrasado e poderá ser desenvolvido num ritmo mais lento após o anúncio pelo governo de um corte de mais de R$ 4 bilhões do Orçamento da Defesa.


OPINIÃO
A Defesa antimíssil na Europa: uma escolha entre guerra e paz

Marcelo Rech

Os Estados Unidos deram início ao desdobramento de sistemas de defesa de míssil na Europa, com o deslocamento do cruzador Monterey para o Mar Mediterrâneo.
As ações de Washington ainda não constituem uma ameaça às forças de intimidação estratégicas russas desdobradas no centro do país.
O sistema Aegis, bem como outros sistemas antimísseis similares ao U.S. Patriot e o SM-3, que o Pentágono vai desdobrar sucessivamente na Bulgária, na Romênia e na Polônia, são projetados para interceptar mísseis de curto e médio alcance, os quais a Rússia não tem nenhum.
Com o desenvolvimento destes sistemas que devem ser concluídos por volta de 2020, especialmente o SM-3, especialistas militares afirmam que os Estados Unidos podem adquirir capacidade para derrubar mísseis estratégicos, constituindo um sério desafio para Moscou.
Na Cúpula de Lisboa, em Portugal, os países da OTAN, incluído os Estados Unidos, concordaram com a Rússia para estabelecer juntos um sistema europeu ABM ou TMD (Defesa de Míssil Teatral).
Sobre este assunto, três consultas foram mantidas entre os líderes da Aliança do Atlântico Norte e a Equipe Geral das Forças Armadas da Federação Russa.
Uma plataforma comum poderá estar pronta até meados do ano.
Enviar o cruzador Monterey ao Mediterrâneo fez com que especialistas militares russos duvidassem seriamente de um acordo sobre a defesa de míssil conjunta.
Há quem diga que é impossível, por várias razões. Vamos as mais relevantes.
Primeiramente, entre as partes contratadas, há contradições na avaliação das ameaças de míssil pelo continente europeu.
Moscou considera a ameaça de míssil iraniana ‘altamente relativa’, mas em Bruxelas e Washington, essa ameaça é chamada de ‘principal’.
Pelo contrário, até insignificante.
Teerã, segundo as Forças Armadas russas, não tem nenhum míssil capaz de atingir capitais européias. E não o terá pelos próximos 15 ou 20 anos.
Em segundo lugar, será muito difícil para os lados concordar sobre princípios e estrutura de uma defesa de míssil européia.
A Rússia insiste que um sistema de defesa de míssil deve ser desenvolvido em uma base setorial. O presidente Dmitry Medvedev falou sobre isso em Lisboa.
Em outras palavras, a OTAN está construindo o seu próprio sistema nas fronteiras da Europa, principalmente no flanco Sul, de onde o perigo geral de míssil vem alegadamente, bem como a Rússia nas fronteiras de seu país.
Áreas da responsabilidade ficarão sobrepostas em algum lugar, mas não há nada de errado nisso. Cada lado será responsável pela sua própria zona de segurança e ao mesmo tempo deverá informar ao seu parceiro sobre o que está acontecendo no seu espaço aéreo.
O Secretário-Geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, em uma reunião recente com jornalistas russos em Bruxelas, disse: “a Aliança é responsável pela segurança dos territórios dos estados-membros da OTAN e pela segurança das suas populações. Não temos nenhuma intenção de deslocar a responsabilidade a alguém mais. Devemos fazer a Rússia entender: este sistema não é dirigido contra ela. Por isso a convidamos a cooperar”.
Por outro lado, cabe questionar: contra quem este sistema de defesa de míssil será dirigido?
A Rússia já teve experiência de criar um sistema de TMD juntamente com a OTAN no início deste século, e até realizou vários comandos e exercícios de equipe conjuntos para o seu estabelecimento.
Ocorre que a OTAN criou este sistema como parte da defesa de míssil estratégica dos Estados Unidos que tentaram desdobrar na Polônia e na República Checa e que foi diretamente apontado contra as forças de dissuasão estratégicas russas.
Acredita-se que a nova versão da defesa de míssil européia sugerida pelo presidente Barack Obama e o Secretário de Defesa Robert Gates seja a mesma versão adotada por George Bush, só que em outra base técnica.
A Defesa de Míssil Européia será alegadamente construída em quatro fases. As primeiras três realmente não ameaçam a Rússia.
Mas a quarta fase, que envolve a melhoria do sistema de míssil SM 3 Block C, será supostamente capaz de interceptar mísseis estratégicos desdobrados na Rússia européia.
De acordo com Dmitry Medvedev, “se a Rússia não encontrar um lugar apropriado para si mesma neste sistema, então por volta do vigésimo ano, podemos chegar a uma situação onde uma defesa de míssil relevante em ´guarda-chuva’ será considerada como um fator que desestabiliza o equilíbrio nuclear, o que reduz as capacidades da Rússia”.
Para a Rússia, antes de junho o país saberá se os parceiros têm a boa vontade para criar uma defesa de míssil inteligente.
Um sistema de defesa de míssil inteligente é aquele que não dá margem a novas ameaças, mas identifica corretamente as já existentes.
O problema é que o aviso de Moscou não parece ter sido ouvido por Washington e por Bruxelas, por enquanto.
Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e Especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e Contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org
 FONTE: INFOREL

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