Técnico do BNDES assume a Secretaria de Aviação Civil
Indicação de Wagner Bittencourt foi técnica e não política, o que agradou o mercado de aviação
Maeli Prado
Responsável pela área de infraestrutura no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) há mais de cinco anos, em especial dos projetos de energia, área da então ministra de Minas e Energia e hoje presidente Dilma Rousseff, o engenheiro Wagner Bittencourt de Oliveira foi o escolhido para ser o titular da recém-criada Secretaria de aviação Civil (SAC), que tem status de ministério. Bittencourt, que tem no currículo passagem pelo Ministério da Integração Nacional, terá como missão comandar a abertura dos aeroportos brasileiros para a iniciativa privada .
Bem recebido
A indicação, apesar de ter surpreendido o setor aéreo, foi comemorada pelas companhias, até porque havia o temor de que um nome político, como o do ex-ministro das Cidades Márcio Fortes, fosse escolhido para a estratégica SAC. Mesmo antes da criação da pasta, em 18 de março, as apostas vinham se concentrando em nomes como o do presidente do Banco Safra, Rossano Maranhão, que não conseguiu se descompatibilizar a tempo do banco, e do presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, cujo nome foi vetado por Dilma pelo fato de a operadora ter entre seus sócios a Andrade Gutierrez, que constrói aeroportos no exterior.
Comandadas
A SAC abrigará a Agência Nacional de aviação Civil (Anac) e a Infraero (estatal que controla os principais aeroportos). “Ele tem três desafios: aumentar a produtividade da Infraero no curto prazo, para resolver gargalos urgentes; definir rapidamente as ações necessárias para aumentar a capacidade dos terminais para a Copa do Mundo e a Olimpíada de 2016 e, por fim, definir um novo modelo de gestão aero- portuária no país”, aponta o consultor especializado André Castellini, da Bain & Company. “Um modelo que permita triplicar a capacidade do sistema em 20 anos, que na nossa avaliação é o necessário”.
Proximidade com Dilma
Bittencourt entrou no BNDES em 1975 e era diretor de Infraestrutura, Insumos Básicos e Estruturação de Projetos desde 2006. Lá, projetos energéticos como a construção das usinas do Rio Madeira e as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) eram do seu escopo, o que permitia que tivesse reuniões frequentes com Dilma em Brasília. Além de impressioná-la, o engenheiro teve pleno apoio do principal executivo do banco, Luciano Coutinho, que é bem relacionado com a presidente, que apoiou sua indicação. Foi o BNDES, aliás, que encomendou um amplo estudo à consultoria McKinsey sobre a situação dos aeroportos no Brasil. A partir desse levantamento, o governo tomou a decisão de abrir a concessão de terminais para a iniciativa privada como a única forma de resolver os inúmeros gargalos do setor.
Personalidade afável
Dentro e fora do banco, o engenheiro é visto como competente e uma pessoa afável no trato, alguém com quem é prazeroso se trabalhar em equipe. “Ele é um técnico, sabe do que está falando”, avalia Paulo Fleury, presidente do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS). “Tenho uma ótima impressão dele. Tive duas reuniões com o Wagner e é alguém extremamente capacitado. Deve levar uma equipe técnica para a SAC. É bom que o escolhido pelo governo não tenha sido um político”, comenta. Ontem, o novo ministro estava em Brasília, mas a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto não soube informar se ele se reuniu com Dilma. ■
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