AVIAÇÃO
Tap propõe reduzir tripulantes para cortar custos
Plano prevê que os aviões passem a voar com menos um funcionário, mas sindicato da categoria diz que medida é ilegal por contrariar acordo coletivo
Hermínia Saraiva
A Tap quer reduzir a tripulação em suas aeronaves, contribuindo assim para cortar 5% da massa salarial e 15% dos custos da companhia. Essa medida já foi comunicada ao Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), que se posicionou contra a proposta.
“O Orçamento do Estado prevê a redução de salários, mas não altera os acordos coletivos, ou seja, não mexe no Acordo de Empresa e no resto das cláusulas que têm a ver com regras e horas de trabalho, como o número de tripulantes”, afirma Cristina Vigon, presidente do SNPVAC, que fez uma sessão de esclarecimentos com os associados na sede do sindicato.
A responsável sindical diz que, oficialmente, a companhia apenas comunicou o que consta da circular interna enviada na semana passada a todos os funcionários da Tap. Mas, na reunião que fez há uma semana com o presidente da companhia, Fernando Pinto, disse que, para a redução dos custos operacionais, a Tap pretende reduzir a tripulação. Isso significa que os voos de longa distância, feitos normalmente com dois chefes de cabine, serão operados apenas por um, enquanto nos voos de média distância será retirado um comissário assistente.
Passageiros são afetados
A medida surge alguns meses depois de os voos de média distância da Tap terem sido afetados pela falta de tripulantes. Entre junho e agosto do ano passado, muitos voos foram operados com um tripulante a menos e, por isso, sem serviço de bordo. No momento, o sindicato diz que está consultando advogados para decidir qual a melhor forma de reagir a essa imposição.
Pelo acordo assinado entre a Tap e o sindicato, o número de tripulantes de cabina depende do tipo de avião usado. Para um A319, por exemplo, que transporta 132 pessoas, são necessários quatro assistentes de bordo para garantir o serviço aos passageiros, enquanto um A321, no qual podem viajar até 194 pessoas, precisa de uma equipe de seis funcionários. Basta faltar uma pessoa para que o chefe de cabina decida não prestar serviço aos passageiros, o que significa não servir refeições ou prestar vendas a bordo. Contatada, a Tap não comentou a aplicação destamedida.
Companhia reduz despesas Esta é apenas uma das medidas negociadas entre a administração da Tap e o governo português para cumprir o corte dos custos operacionais exigido pelo Orçamento do Estado. Além disso, há ainda a redução entre 12% e 35% dos subsídios de férias e de Natal como forma de cortar 5% dos custos com a massa salarial.
Apesar do corte de 15% dos custos operacionais previstos, a Tap só deverá poupar cerca de € 145 milhões e não € 300 milhões como aconteceria se a medida fosse aplicada a todos os custos operacionais. Isto porque, segundo o administrador financeiro da companhia, Michael Conelly, a transportadora aérea foi autorizada a retirar do bolo dos custos operacionais a fatura com combustíveis, aluguel de aviões ou taxas aeroportuárias.
A Tap vai reduzir totalmente os custos que foram definidos, disse o gestor financeiro, negando que a companhia tenha conseguido um regime de exceção. Fernando Pinto disse desde o início do processo que a Tap pretende economizar entre € 180 milhões e € 200 milhões em três anos, compensando a falha da meta da economia com o aumento da receita na ordem dos € 200 milhões. “Não fizemos nada para reduzir os pagamentos”, diz Michael Conelly. “Se pararmos de voar, os custos se reduzirão imensamente”, acrescenta.
Sindicatos reúnem-se hoje para decidir posicionamento
Várias categorias serão afetadas pela redução de custos do governo e decidem como atuar
Os 11 sindicatos que representam o setor da aviação reúnem-se hoje, dia 3, para saber como é que cada classe profissional será afetada pela execução dos planos de corte de custos exigidos pelo governo português das empresas estatais. Além dos trabalhadores da TAP (incluindo Groundforce), estarão ainda os trabalhadores da ANA – Aeroportos de Portugal, NAV – Navegação Aérea e Portway, a empresa de assistência em terra da ANA.
“Ainda é muito cedo para falar de uma possível greve”, afirma André Teives, dirigente do Sindicato dos Técnicos de Handling de Aeroportos (STHA) e responsável pela mobilização das restantes estruturas sindicais. “Estou convocando todos os sindicatos do setor, a exemplo do que fizemos no final de 2010, para entender a situação dentro de todas as categorias profissionais.”
O sindicalista diz ainda que a ideia é saber como é que cada uma delas está sendo afetada pela imposição de uma poupança de 5% da massa salarial e de 15% nos custos operacionais. No momento, sabe-se que os pilotos serão das classes mais afetadas pela redução de entre 12,5% e 35% dos subsídios de férias e de Natal, uma vez que os cortes serão progressivos e os pilotos serão a classe profissional mais bem paga da TAP.
Desta forma, o Sindicato Nacional dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) iniciou sessões de esclarecimentos com os pilotos da TAP, PGA e Sata para marcar uma assembleia geral para “os pilotos darem uma resposta firme e responsável a todas estas medidas”, como consta no documento de convocação, que surge alguns meses depois de o SPAC ter aprovado o reforço do fundo de greve.
Entre as medidas de contenção salarial a serem aplicadas pela TAP, está ainda a “não atualização das tabelas salariais e de outras prestações pecuniárias.
Os sindicatos deverão ainda discutir a situação dos assistentes de bordo da TAP que, além de terem o salário reduzido, poderão estar diante de um aumento do trabalho devido à redução de um membro nas tripulações, como explica a presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), Cristina Vigon: “Não há demissões, porque a TAP tem falta de tripulantes, mas aumenta a carga de trabalho nos voos, porque menos um significa que o trabalho será feito pelos outros, mesmo que a TAP esteja disponível para negociar o serviço”.
O SNPVAC, tal como os outros sindicatos, não descarta a possibilidade de agir judicialmente contra o Estado para evitar os cortes salariais, a exemplo do que foi feito por algumas classes profissionais da função pública. Também o STHA prevê enviar em breve uma carta a todos os associados na qual explica a hipótese de recorrer à via judicial para contestar estas medidas.
H.S.
Lucros do setor aéreo devem cair pela metade neste ano, diz Iata
Os ganhos líquidos das companhias aéreas em todo o mundo devem diminuir pela metade este ano, em meio ao cenário de aumento de custos, especialmente por preços de combustíveis, ofuscando a crescente demanda, afirmou nesta quarta-feira a Iata, associação mundial que representa o setor. O resultado deve levar a uma margem líquida de apenas 1,4%em 2011, ante 2,9% no ano passado.
Bombardier fecha venda de até 120 jatos executivos para NetJets por US$ 6,7 bilhões
A encomenda, que inclui pedido firme por 50 aeronaves e opções de compra de outras 70 unidades, é a maior venda de aviões executivos já fechada pela Bombardier, fabricante de aviões canadense e rival da brasileira Embraer. A NetJets — unidade de aviões executivos da Berkshire Hathaway, do bilionário Warren Buffett — encomendou 50 aviões executivos da Bombardier com valor total estimado em US$ 2,8 bilhões.
FONTE: BRASIL ECONÔMICO
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